1 de outubro de 2019
A hora e a vez do varejo
Humberto Viana por Humberto Viana

IV Fórum Nacional leva otimismo a 900 lideranças políticas e empresariais reunidas em Brasília  

A afirmação dos valores liberais, o apoio ao projeto político assentado na vontade popular expressa nas urnas e o suporte às reformas econômicas em curso no Congresso Nacional foram as mensagens deixadas no IV Fórum Nacional do Comércio, evento promovido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pela Câmara de Dirigentes Lojistas do Distrito Federal (CDL-DF).

O encontro reuniu, entre os dias 17 e 18 de setembro, as maiores lideranças do setor varejista para debater temas da economia e da gestão empresarial de um segmento que movimenta mais de R$ 340 bilhões. Mais do que uma reunião de empresários, o fórum serviu para mostrar que nunca o setor teve tantas ferramentas de expansão como no atual momento. Seja na área econômica ou política, seja nas reformas normativas do Estado, o sinal é que chegou a hora e a vez do varejo.  

Falando para um público de 900 pessoas formado por empresários, políticos e especialistas de várias áreas, o presidente da CNDL, José César da Costa, deu o tom do que seria o evento: uma lufada de otimismo e esperança para o setor que mais emprega no Brasil. “As medidas aprovadas recentemente pelo Congresso Nacional mostram que o caminho para a prosperidade já foi aberto, com o ataque aos privilégios impresso na reforma da previdência e a desburocratização do setor produtivo, com a aprovação da Medida Provisória da Liberdade Econômica”, disse.

A mensagem foi repetida por todos os políticos e técnicos que subiram ao palco imponente montado no Royal Tulip, em Brasília. Um deles foi o ministro da Economia, Paulo Guedes. Inspirado, o ministro lembrou que o país passa por uma grande transformação econômica e democrática. “Além da reforma da previdência, conseguimos avançar nas privatizações, fechamos acordos com o Mercosul e a União Europeia”, enumerou. “As mudanças estão acontecendo e temos certeza de que os resultados virão já no próximo ano”, disse otimista.

Toda a fala do ministro foi ao encontro das expectativas do setor varejista, que espera uma ação disruptiva no sistema econômico brasileiro. “Estamos trocando o eixo. Queremos que o motor da economia passe a ser o setor privado. Para isso, temos que reduzir os juros, os impostos, o endividamento, privatizar e atrair investimentos externos”, afirmou, sob aplausos.

Guedes falou da sua obsessão pelo corte de gastos e disse que prefere “furar o piso, fazendo mais cortes, que quebrar a lei que impõe o teto de gastos”. Foi aplaudido ao dizer que o governo Bolsonaro não vai aumentar impostos. “Ao contrário! Vamos reduzir impostos, simplificar o sistema tributário e desonerar a folha de pagamentos”.

O ministro da Economia também comentou suas impressões sobre as recorrentes insinuações de que o atual governo não tem apreço pela democracia ou que estaria reduzindo o espaço democrático. “É o contrário! Antes, havia espaço apenas para um espectro político ligado à esquerda e centro-esquerda. Hoje, o Brasil ampliou esse espectro com o surgimento da centro-direita, de um pensamento conservador e liberal”.

Admirável mundo novo

Ainda na área econômica, o evento abriu espaço para debates que mostraram um futuro auspicioso para o Brasil. Um painel, que reuniu o economista do Banco do Brasil, Ronaldo Távora, o professor Agostinho Sant’Ana e o consultor Luiz Carlos Hauly, espantou fantasmas e empolgou os empreendedores da plateia.

Távora falou das oportunidades que se abrem em momentos de desaceleração global. “Se o cenário externo não é dos mais favoráveis, pelo menos saberemos que o nosso crescimento daqui para frente dependerá do que fizermos internamente no Brasil”, disse. Para ele, existe um “admirável mundo novo” que se abre com os novos modelos de negócio. Ele “chegará com juros baixos e bastante liquidez, dinheiro buscando oportunidades de investimento em países emergentes, e eu não conheço país com mais oportunidades que o Brasil”.  

Hauly também vê oportunidade de crescimento, mas com o avanço da reforma tributária. Para ele, o sistema tributário brasileiro é o grande responsável pela crise pela qual o Brasil atravessa. “É preciso fazer, com urgência, uma ação de simplificação e informatização na cobrança de impostos. Esses ajustes garantirão, sozinhos, milhões de empregos”, afirmou.

O professor Sant’Ana concordou: “A reforma econômica mais importante atualmente é a tributária, mais até do que a da previdência. Essa última resolve problema de caixa, mas, em termos de estrutura, precisamos de uma reforma tributária mais justa e não há momento mais adequado para isso do que este que vivemos”.

Cenário político promissor

O atual cenário político também foi tema dos debates do IV Fórum Nacional do Comércio. Como no caso da economia, as falas dos convidados apontaram para uma perspectiva promissora. Foi consenso a ideia de que a atual legislatura faz do Parlamento uma casa com perfil restaurador. “É uma oportunidade única para avançar com medidas que vão modernizar a estrutura política e econômica do Brasil”, disse o deputado Efraim Filho (DEM-PB), no Painel Político do fórum.

O deputado Felipe Franceschini (PSL-PR), presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, uma peça fundamental no encaminhamento de projetos dentro do Parlamento, falou que sua gestão está trabalhando arduamente para que os projetos importantes para o desenvolvimento do Brasil, aqueles com estratégias liberais de desenvolvimento, tenham prioridade na CCJ.

“Procuramos indicar relatores favoráveis a essa agenda de reforma. Temos que ter coragem de votar nos projetos que trarão a modernização do país”, disse. “Não podemos mais deixar a população na expectativa de votações que demoram anos para ser aprovadas. Esse será o trabalho que faremos até o término do nosso mandato na comissão”, garantiu.

Efraim Filho também chamou atenção para o espaço ocupado pelas pautas varejistas na agenda congressual. Ele, que é presidente da Frente do Comércio, Serviços e Empreendedorismo, comemorou os avanços do setor nas tratativas com os congressistas. “Antes, a indústria tinha o monopólio da agenda política, mas com frentes, como a do Comércio, passamos a levar para a arena do Parlamento as demandas desse setor tão importante para o Brasil”, disse.

Para ele, é fundamental que os varejistas sigam articulando para que as reformas propostas pelo governo sejam aprovadas com celeridade e, com isso, o Brasil volte a crescer com sustentabilidade.

Modernização

Outro tema bastante debatido foi a modernização do Estado brasileiro no que diz respeito à máquina estatal e ao aparato normativo. O secretário de Produtividade e Competitividade no Varejo, Carlos da Costa, fez uma palestra sobre produtividade e competitividade no varejo. Ele apresentou o cenário encontrado pelo atual governo em janeiro, o que explica, em boa medida, a crise enfrentada pelo país. “Deparamo-nos com uma situação de dirigismo, de centralização em Brasília e de intervenção na economia”, explanou, apontando para a postura da nova administração. “Nosso norte agora é a sociedade aberta, com menos governo e mais espaço para a iniciativa privada”.

Costa lembrou a fala de Paulo Guedes na noite de abertura do fórum. “Nós temos que diminuir o tamanho da besta”, disse, se referindo ao tamanho do Estado. “Para isso, temos que facilitar a vida de quem gera emprego, diminuindo o controle sobre o setor produtivo e desburocratizando sistemas como o e-Social”.

A modernização das relações de trabalho foi outro assunto que passou pelo palco do evento. O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, capitão da reforma trabalhista aprovada no ano passado, falou aos convidados sobre sua visão das novas relações de trabalho. Para ele, o Brasil tem uma oportunidade única de reverter um quadro que sacrificou por 30 anos os empresários brasileiros. “Pela primeira vez, temos coragem e vontade política para atacar um trambolho que passou a fazer parte da realidade brasileira”, disse, se referindo às inúmeras regulamentações que regem a relação entre o empreendedor e o trabalhador.

Marinho citou como exemplo as ações de governo para destravar as Normas Regulamentadoras (NRs) do trabalho. “São 35 normas criadas ao longo de décadas que abrem espaço para a possibilidade de aplicação de mais de seis mil multas diferentes para o empresário”, disse, lembrando que o governo avançou nessa pauta ao conseguir pôr fim a sete NRs que, sozinhas, significam uma economia de mais de R$ 2 bilhões por ano.

Também disse que a instituição cartorial dos sindicatos deve ser encarada de frente e que a relação promíscua entre sindicatos e Estado deve ser extinta: “Temos que enfrentar posições estabelecidas no Brasil. Os sindicatos devem continuar existindo, mas para representar os legítimos interesses dos seus associados de forma independente, não para ser depositários de partidos políticos”.

O diretor de Registro Empresarial da Secretaria de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, André Ramos, foi na mesma linha de Marinho e apresentou o cenário desolador do Brasil no quesito burocracia. Como exemplo, o diretor levou dados que mostram que o Brasil ocupa o 140º lugar no ranking mundial de abertura de empresas.

Segundo Ramos, o governo está trabalhando para reverter esse quadro. Lembrou que, a partir de outubro, a abertura de matrizes e filiais de empresas não precisará mais de registro em cada um dos municípios em que se estabelecer. “Agora, haverá um único ato de registro no município da sede da empresa, que valerá para todas as outras unidades”.

Os caminhos do varejo

A cultura digital, o ecossistema das start-ups e o futuro do varejo também foram temas no IV Fórum Nacional do Comércio. O evento contou com palestras de especialistas do mercado, como o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv), Marcos Andrade, o executivo-líder da área de Soluções de Indústria para os Mercados de Varejo e Bens de Consumo da IBM Brasil, Ênio Garbin, e o diretor de Criação da Publicis Brasil, Samuel Normando.

Um ponto comum foi a ideia de que, sim, o varejo já está passando por transformações, mas essas mudanças não tirarão a relevância das lojas físicas. “Os clientes estão dispostos a usar tecnologia, mas seguem inspirados pelos espaços criados pelos lojistas”, disse Andrade. “Mais de 85% das vendas ainda têm origem nas vitrines”. Para o especialista, a vitrine é uma das ferramentas de venda mais acessíveis, o que você precisa ter é criatividade e dedicar algum tempo para poder explorar esse espaço.

O mesmo pensa Garbin, para quem as tecnologias que pareciam do futuro já estão no cotidiano de bilhões de pessoas: “A inteligência artificial já é uma realidade e está entregando resultados”.  O executivo da IBM apresentou exemplos de lojas com ambiente totalmente digitalizado, sem caixas, sem utilização de dinheiro ou cartões. “As lojas vão ter que mudar, porque os seres humanos estão mudando, mas elas não vão deixar de existir”.

Já o dataminer da Distrito, Daniel Quandt, mostrou o ecossistema de start-ups no Brasil, uma pesquisa que ele desenvolveu mapeando as empresas inovadoras do país. Apresentou start-ups que atendem às necessidades de pequenas e médias empresas que, em sua opinião, são uma boa solução para quem não tem condições de desenvolver inovações. Gestão financeira, financiamentos, crédito, cobranças e pagamentos, “para cada dor do varejista, é possível encontrar start-up”, afirmou.

Já Normando falou do poder da criatividade nos negócios. “De que valem tecnologia e bons produtos se você não tem uma história para contar sobre esses produtos?”, perguntou. “Uma história bem contada, relevante, tem o poder de mobilizar. Uma história relevante pode reescrever a sua história e da sua empresa”. Foi o encerramento perfeito para o fórum, um evento que, acima de tudo, quer escrever uma nova história para o varejo brasileiro.

Sergio Moro recebe o prêmio Mérito Lojista Nacional

Honraria homenageia empresas e personalidades que contribuíram para o bom funcionamento do comércio brasileiro

O ministro da Justiça, Sergio Moro, foi o grande homenageado no encerramento do IV Fórum Nacional do Comércio. Moro foi agraciado com o prêmio Mérito Lojista Nacional, considerado o “Oscar do Varejo”. A honraria homenageia as empresas, personalidades políticas, empresariais e meios de comunicação que mais contribuíram para o bom funcionamento do comércio brasileiro.

O ministro recebeu a estatueta das mãos do presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), José César da Costa, e foi cumprimentado pelos 27 presidentes das federações do Sistema CNDL.

Moro agradeceu a homenagem, se disse honrado e lembrou a importância do setor varejista: “Esse é um dos setores mais importantes da nossa economia, o que mais emprega. Esse prêmio é motivo de muito orgulho”. Em sua fala, o ministro afirmou que um “um país mais seguro tem um ambiente mais propenso para o desenvolvimento da economia”.

No discurso, o chefe da pasta da Justiça fez a “prestação de contas” de sua gestão. Lembrou o seu enfrentamento aos crimes de contrabando, falsificação e roubo de cargas, temas caros aos lojistas e que vêm sendo combatidos com rigor pelo Ministério da Justiça.

O ministro abordou ainda as medidas contra o crime organizado, como a transferência de líderes de facções criminosas para presídios federais e o aumento de apreensões de cocaína. “Conseguimos evitar que 77 toneladas de cocaína entrassem no mercado brasileiro, o dobro do que foi apreendido no ano passado”.

O ministro disse que orientou a Polícia Federal a seguir o enfrentamento da corrupção, “um crime que tem um custo altíssimo para o Brasil”.  Admitiu a situação precária dos presídios brasileiros, mas refutou a ideia de que a população carcerária é um problema. “A taxa de criminalidade elevada mostra que não prendemos suficientemente”.

Moro falou da redução da criminalidade desde que assumiu o ministério e que reforçou as equipes policiais vinculadas à Lava-Jato.

No fim, o público o aplaudiu efusivamente. Um convidado que deu ao IV Fórum Nacional do Comércio um encerramento à altura do que foram os dois dias de evento, certamente o mais importante desde a sua criação.

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