11 de fevereiro de 2019
A fatia do bolo
Marcela Kawauti por Marcela Kawauti

Ainda não se conhece o número oficial, mas tudo indica que a economia brasileira avançou, em 2018, algo em torno de 1,3%. Para usar uma velha metáfora, o bolo cresceu –  só que foi dividido por uma população maior. A medida que, portanto, interessa não é somente o tamanho do bolo, mas, sim, o tamanho da fatia que cabe a cada um, o chamado PIB per capita.

De acordo com o IBGE, em 2017, quando o país começou a superar a histórica recessão, o PIB per capita cresceu 0,2%. Esse discreto crescimento sucedeu duas fortes quedas: 4,3%, em 2015, e 4,2%, em 2016.

A crise reduziu a fatia média do bolo, que só agora voltou a crescer. Mesmo com o crescimento, o resultado fica muito longe de recuperar as perdas da recessão. Por algum tempo ainda, veremos uma fatia menor do que a de 2014, antes da crise.

A partir de agora, para avançar, será preciso fazer a produtividade, isto é, a capacidade produtiva de cada máquina ou trabalhador brasileiro, crescer. Elevar a produtividade significa produzir mais com a mesma quantidade de recursos. No longo prazo, é esse o motor do crescimento da renda per capita. Mas como pôr isso em prática?

Foram francas as palavras do ministro da Economia, Paulo Guedes, por ocasião de sua posse. O discurso inaugural empolgou justamente pela sua dureza. Ficou claro que o sucesso econômico depende de que o país enfrente decisões difíceis, há muito adiadas, e interesses diversos.

No seu roteiro ele, o primeiro passo deve ser a apresentação de uma reforma do sistema previdenciário. Depois, virá a simplificação tributária e só então se fará a abertura da economia brasileira, tudo de forma sincronizada. Dado o primeiro passo, a economia brasileira garantirá, segundo o ministro, crescimento pelos próximos dez anos. Também poderá mirar, mais adiante, uma substancial redução da carga tributária.

Além da linha mestra proposta por Guedes, convém ao país avançar na transformação do ambiente de negócios. De acordo com o ranking do Banco Mundial, o país ocupa a sofrida 125ª posição num índice que leva em conta fatores como: facilidade para abrir um negócio; obtenção de crédito; pagamento de impostos; registros de propriedade, entre outros – para nos atermos aos gargalos mais conhecidos.

A agenda apresentada ao país contém muitas pautas quase consensuais. O risco de a receita desandar sempre existe, é claro, mas, se as medidas forem bem implementadas, haverá boas chances de o bolo e as fatias voltarem a crescer de forma mais vigorosa.

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