11 de junho de 2019
A educação pela crise
Marcela Kawauti por Marcela Kawauti

“Para aprender da pedra, frequentá-la”, escreveu o poeta João Cabral de Melo Neto. Assim é “a educação pela pedra”: in loco, de fora para dentro e de lição em lição.

Da dureza da crise, também se pode extrair algum aprendizado. As sondagens sempre mostram que, na hora do aperto, é comum o consumidor recorrer ao controle de gastos, à pesquisa de preços e à priorização de gastos.

O Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com o Banco Central, divulgou recentemente um levantamento que revela que, dentro de casa, as famílias estão falando mais sobre orçamento familiar. Em 2017, 43,7% admitiam tratar do assunto frequentemente. Um ano depois, o percentual passou para 50,8%.

O assunto é importante demais para ser evitado e é bom que o hábito tenha chegado para ficar. A conversa sobre orçamento deve envolver, inclusive, os pequenos, para que entendam, desde cedo, que no mais das vezes os recursos são limitados e que isso impõe a definição de prioridades.

É claro que nem tudo se resolve numa conversa. Outro dado positivo da pesquisa foi que o número de consumidores que fazem um controle sistemático do seu orçamento passou de 55% para 63%, um hábito que pode tomar algum tempo, mas faz diferença no fim.

A evolução desses dados é positiva, mas ainda há muito espaço para melhorar. No quesito da reserva financeira, por exemplo, as sondagens mostram que apenas um terço dos consumidores consegue chegar ao fim do mês com sobra de dinheiro, algo que os próprios efeitos da crise, como o desemprego persistente, dificultam.

Entre aquela minoria que consegue poupar, a maioria acaba optando pela tradicional caderneta de poupança, deixando de obter ganhos maiores em outras modalidades. Aos poucos, porém, isso também vai mudando. Um dado divulgado recentemente indica que o número de brasileiros na bolsa e no tesouro direto chegou à cifra inédita de um milhão.

Quando o assunto é educação financeira, é verdade que a crise não é a única professora. Há um grande esforço da sociedade civil no sentido de disseminar conteúdos sobre finanças, especialmente no espaço da internet. O entendimento é que munir o consumidor com essas informações faz parte do desenvolvimento pleno da cidadania.

Quem teve a oportunidade de participar da Semana Nacional de Educação Financeira pôde ver o tamanho desse esforço – que deve ser continuado.

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