9 de abril de 2020
A bolsa de valores e o valor da bolsa em tempos de coronavírus
Varejo SA por Varejo SA

Como uma marca de luxo, totalmente fora do meu mundo, me arrebatou

O comportamento de uma grande marca, em tempos de coronavírus, me fez repensar o valor da bolsa. Não a bolsa de valores, em seus baixos e baixíssimos pregões e quase diários circuit brakers, mas o quinhão que se paga pelos mimos de famosas marcas francesas.

Símbolo de status, luxo e exclusividade, já havia encontrado, em outros tempos, filas nas áreas VIP de shoppings em busca de uma escandalosa pechincha: uma bolsa por R$ 5 mil. Achei total absurdo, mas fiquei na minha, afinal o valor real da “bolsa joia” era de R$ 15 mil, algo que me excluía totalmente daquele mundo.

Diante da pandemia, o grupo francês LVMH, líder mundial do luxo, dono de marcas como Louis Vuitton, Dior e Guerlain, passou a usar sua fábrica de perfumes para produzir álcool gel.

Toda a produção foi destinada às autoridades francesas, em uma ação, conforme divulgou a imprensa local, que será mantida “o tempo que for necessário”.

“A Louis Vuitton usará toda a sua instalação produtiva de perfumes e cosméticos (Parfums Christian Dior, Guerlain e Parfums Givenchy) na França para produzir grandes quantidades de álcool gel a partir de segunda-feira”, informava.

A atitude pode ser lida pelos mais críticos como uma tremenda ação de marketing exclusivamente, mas me arrebatou, devo confessar.

A empresa deve colher lá seus lucros no futuro e, quem sabe, manter seu prestígio como artigo de luxo em um período pós-crise, que ainda não vislumbramos quando, nem como será. Mas convenhamos: se isso acontecer, será merecido.

Ao contribuir, como pode, para que um número maior de pessoas continue a tomar as medidas corretas para se proteger da propagação do vírus, ela não garante a existência de mercado consumidor no futuro, mas gratidão por seu comportamento em um momento em que foi capaz de lidar com o risco da falta de um produto essencial na França.

Não, eu não passei a ter dinheiro para pendurar nos ombros uma Dior ou uma Louis Vuitton e sair por aí. Conformo-me com a ideia de que, para meu estilo, nem cairiam muito bem. Mas passei a ver aquela fila na porta da loja com outros olhos: de simpatia total.

Em meio à sacudida da pandemia em todo o mundo, com nossos queridos shoppings vazios, lojas fechando, restaurantes vazios e pessoas se afastando, senti uma ponta de esperança e, principalmente, aprendizado: é hora de recolhimento, mas também de plantar para, quem sabe, descobrir o real valor da solidariedade.

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