24 de setembro de 2019
A vez dos QR codes
Marina Galerani por Marina Galerani

Inicialmente rejeitados pelos brasileiros, os códigos de resposta rápida prometem revolucionar os processos de pagamento no país

O monopólio dos cartões de crédito e débito entre as opções de pagamento pode estar prestes a acabar no Brasil. O QR code – nome curto para quick response code ou código de resposta rápida, em tradução livre – tem potencial para mudar a forma como realizamos essas transações. Criado em 1994, no Japão, para facilitar o processo de catalogação de peças de automóveis, é um símbolo que consegue ser rapidamente interpretado por equipamentos de leitura. Por conter informações tanto na vertical quanto na horizontal, possibilita armazenar muito mais dados que os tradicionais códigos de barras, além de ocupar espaços menores.

Anos depois, o QR code passou a ser utilizado por diversos setores de atividades e conter variados tipos de informação, como textos simples, endereços de e-mail e de sites, SMS, entre outros. O código pode ser rápida e facilmente decodificado por meio de leitores instalados em tablets e smartphones, que atualmente costumam contar com essa tecnologia desde a fábrica.

No Brasil, os códigos QR não se popularizaram de primeira. De acordo com Alexandre Pinto, diretor de Inovação e Novos Negócios da Matera, empresa criadora de um sistema que torna possível realizar pagamentos via QR code mesmo estando off-line, a demanda por essa tecnologia era inexistente no passado. Além disso, era necessário ter um dispositivo móvel com câmera minimamente razoável e acesso à internet, sendo que o país ainda não atravessava a fase de disseminação massiva de smartphones.

Hoje, a tecnologia é utilizada mundo afora para realizar pagamentos entre consumidores e comerciantes por meio da geração e leitura instantâneas do código. Segundo a empresa de marketing digital Juniper Research, a expectativa de crescimento do uso dessa modalidade de pagamento é de 300% nos próximos cinco anos. Na China, país-referência no uso da tecnologia, mais de US$ 2 bilhões foram movimentados dessa forma no Ano Novo Chinês de 2017, data que tem como tradição a troca de presentes entre as pessoas. O executivo da Matera explica que os chineses não experimentaram a popularização dos cartões de débito e crédito, tendo pulado da utilização do dinheiro vivo diretamente para o uso dos QR codes. O método garante agilidade, praticidade e segurança aos seus usuários, que estão também em países como Holanda, Suíça e Dinamarca.

No Brasil, o uso de aplicativos de pagamento com QR code deve passar dos atuais 15% para 31% em 2021, segundo dados do Global Payments Report. Ademais, 82% dos varejistas pretendem adotar a tecnologia como meio de pagamento no próximo ano, acompanhando o crescimento da quantidade de pessoas que fazem compras utilizando o método. O sistema criado pela Matera promete simplificar e democratizar ainda mais o processo de pagamento, pois permite que o consumidor realize a transação sem depender de qualquer tipo de conectividade. “O smartphone pode até estar no modo avião”, acrescenta Pinto. A pessoa que realiza o pagamento insere o valor no sistema e gera um QR code. O comerciante, por sua vez, deve estar conectado e pode utilizar qualquer dispositivo habilitado para leitura de códigos, como celular, máquina de leitura de código de barras, webcam, entre outros. “É o mesmo conceito e linha de raciocínio dos cartões de crédito e débito, apenas o meio é diferente”, explica.

Outra oportunidade oferecida pelo uso da tecnologia para realizar pagamentos é a chance de capturar o comportamento de compra dos consumidores. “O QR code vai gerar dados de enorme valor e poucos varejistas têm acesso a esse tipo de informação no Brasil”, pontua. Já o cliente receberá promoções e divulgações baseadas nos seus hábitos reais e que de fato fazem sentido para ele.

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